domingo, 13 de abril de 2014

De baixos, a altos, a baixos



Se o dia de ontem foi de altos a baixos, posso definir o dia de hoje de maneira bem semelhante: na 3ª corrida do campeonato, saí de uma posição negativa para uma situação ótima, que acabou não sendo concretizada por conta de um acidente a apenas 2 voltas do fim, em uma tentativa de ultrapassagem que valia um lugar no pódio.

Após o tenso Sábado, a equipe Rsports trabalhou até de madrugada para assegurar que tudo no meu carro número 88 estivesse verificado e pronto para a corrida. Apesar da ainda estranha aparência, meu Stock Car estava novamente com a mecânica perfeita, o que me deixou bem animado e com expectativas de uma excelente prova de recuperação – largando da 8ª posição em um circuito muito técnico e complicado para ultrapassagens, eu precisaria de um carro rápido e bastante consistente para conquistar posições e alcançar um bom resultado.

Neste Domingo, muito frio e de céu claro, sem chances de chuva, alinhei meu carro na posição ontem conquistada. Um ponto que eu sabia ser essencial nessa prova era a largada: me concentrei para, partindo da 4ª fila, por fora, conseguir ter boa reação no apagar das luzes vermelhas, bem como escapar das confusões de largada comuns no pelotão intermediário. Felizmente, meus objetivos foram cumpridos, minha estratégia para a largada funcionou e, após o contorno da travada primeira curva de Santa Cruz do Sul, eu já havia ganhado 2 posições.


Ocupando a 6ª posição e logo atrás do meu principal adversário, líder do campeonato, começamos todos um jogo de paciência. Como já era esperado, poucos arriscaram ultrapassagens em um primeiro momento e, assim sendo, os 8 primeiros formaram, por bastante tempo, um pelotão bem compacto e sem muita ação. Após algumas voltas nessa fila, vi uma brecha em um movimento do 5º colocado, mas minha tentativa de ataque não teve resultado e tive que colocar duas rodas na grama para evitar um acidente. Mais tarde, foi a vez do 5º colocado tentar uma ultrapassagem, também mal sucedida – aproveitei o erro e tomei sua posição.

Na metade da corrida, ainda ocupando a 5ª colocação, no pelotão de ponta, relarguei mal após uma entrada do Safety Car e acabei sendo surpreendido com um ataque do 6º colocado que me fez perder 2 posições. Voltei a me concentrar em encontrar oportunidades de ultrapassagem e, assim, retomar minha recuperação; e a primeira oportunidade veio quando o piloto que ocupava a 3ª colocação perdeu o controle do carro – consegui desviar sem perder muita velocidade e, assim, em um belo movimento, com metade do carro na grama, me posicionei por dentro em relação ao meu companheiro de equipe para ganhar a 5ª colocação. Na volta seguinte, foi minha vez de surpreender o líder do campeonato na freada que sucede a reta principal do circuito e ultrapassá-lo, passando a ocupar a 4ª colocação.
 
Considerando minha ruim posição de largada, ter alcançado a 4ª colocação já era um grande mérito de toda a equipe e representava um ótimo resultado – além de ser uma boa posição, eu já estava a frente de todos os meus adversários diretos no campeonato. Meu carro, entretanto, chegou ao final da prova com um desempenho ainda muito bom, bem superior ao dos meus adversários, e naturalmente passei a atacar o 3º colocado em busca de uma posição que seria ainda melhor e me garantiria um lugar no pódio. Pressionei por algumas voltas até que, enfim, meu adversário errou. Foi quando começou o movimento que acabou encerrando minha corrida.



O piloto que ocupava o 3º lugar perdeu o ponto de freada na primeira perna da chamada “Curva da Bota” e se posicionou muito mal para a segunda perna. Cheguei com muito mais velocidade e, inevitavelmente, aproveitando a oportunidade, me posicionei por fora em relação ao meu adversário para contornar a segunda perna. Com um carro bem mais inteiro, se tudo corresse bem era completamente possível fazer o contorno naquela condição e me manter por fora até a próxima curva para a esquerda, quando eu teria a preferência e poderia concluir a ultrapassagem com tranquilidade. Na saída da “Bota”, entretanto, em um movimento antidesportivo, o 3º colocado não me deixou espaço na pista, me levando a colocar duas rodas na grama. Quando voltei ao asfalto, sem aderência, acabei perdendo o controle do carro e rodando. Para completar, parado no meio da pista, ainda fui atingido pelo meu companheiro de equipe, que vinha logo atrás.


No fim das contas: fim de uma excelente prova para mim, prova comprometida para meu companheiro de equipe e muitos danos para a Rsports. É decepcionante que uma corrida batalhada seja encerrada dessa maneira, mas faz parte do automobilismo. Felizmente, além de ninguém ter se machucado, já estávamos a apenas 2 voltas do fim e consegui marcar alguns pontos que me fazem estar, apesar de tudo, na 3ª colocação do campeonato. Estamos apenas no início, ainda temos 9 corridas pela frente e o título é muito possível.

Agradeço muito a todos que manifestaram sua torcida (e inevitável indignação) por mim. Em especial, parabenizo e agradeço também a toda a equipe Rsports pelo duro trabalho neste fim de semana. As  próximas corridas acontecem nos dias 31 de Maio e 01 de Junho, em um fim de semana de rodada dupla em Goiânia. E garanto: trabalharemos muito para que essa etapa seja pra acabar com o pequi do Goiás!


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